O Código do REI

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MUNDOS

Dom Afonso Henriques vai ser desenterrado. Com o objectivo de reconstituir o seu perfil biológico. Falecido há oitocentos e vinte anos, o nosso primeiro Rei, que fundou uma nação a partir de um pedaço de terra, vai ser alvo de uma investigação profunda. Será que realmente partiu uma perna; como era na realidade o seu rosto; que hábitos tinha – para além de guerrear, claro! -; como se alimentava, etc…

Confesso que a figura do Fundador da nacionalidade, me agrada mais que qualquer uma das outras que se lhe seguiram no uso da coroa. Estranho até – santa ignorância a minha! –, Que nunca tenha sido retratado e que dele se conheça apenas e vagamente a descrição física: Alto e de porte atlético. Agora queremos saber tudo sobre ele. Acho bem; aliás, acho mesmo muito bem. Que fique a saber-se o segredo; não só, da sua força física, como também da sua força de vontade. Sobretudo o porquê de ter feito um país; de não ter obedecido ao poder maternal; de ter desrespeitado o poder papal; de ter erguido a espada contra os não cristãos; de ter vencido cinco reis mouros numa batalha só. Tudo isto para entregar ao filho um país politicamente organizado e com fronteiras definidas: um estado. Não temos na nossa história, figura que se lhe compare; sem tirar valor a outros que, quase como ele, engrandeceram a nação portuguesa, este é sem dúvida o maior “culpado” do país Portugal; sem qualquer culpa do Portugal País (sobretudo do país dos três efes).

Não sei se é possível, porque desconheço a localização do túmulo, desenterrar, também, Jesus Cristo. Mesmo tendo em conta que subiu aos céus e que o corpo foi roubado, a algum lado terá ido parar. Embora duvidando um tudo-nada do rosto fino e barba comprida, interessa-me saber o segredo da sua bondade, inteligência e capacidade de raciocínio. E, claro, saber como é que se faz vinho bom, tendo apenas água por matéria-prima.

Há códigos genéticos que merecem, “em boa verdade vos digo”, ser descobertos, investigados, divulgados e, se possível, “fotocopiados” para utilização noutros corpos e por outras mentes. Tivesse Dom Afonso Henriques deixado em herança; não apenas um país, mas também um código, mesmo tendo matado e mandado matar – sob a protecção de Santiago – em nome de um deus, e hoje seríamos o grande país que não somos; onde todos fazem, ninguém fez nem é culpado, por influência dos “Afonsos” que não Fizeram. Quanto a Jesus Cristo, filho “abandonado” pelo pai na hora em que mais precisava dele, aceitava-se de bom grado, se não a cópia integral do código, pelo menos algumas linhas do dito cujo; de maneira a poder criar outro Homem – ou Mulher – que soubesse falar às multidões, tendo por base apenas o amor, a fraternidade e a generosidade; que hoje em dia são ficção, letra morta, coisa alguma. Tal como a valentia, tenacidade e coragem de Dom Afonso.

O que comiam e como se pareciam, é o que menos interessa; o importante mesmo é obter uma cópia autenticada para uso e abuso da descendência.

Actualização: 10-Jul-2006 . Comentários / sugestőes: ajsbranco@mundos.info