"...Como Tu, junto aos Ganges sussurrante..."

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MUNDOS

Onde o imaginário se estende em divagação nas tardes de entardecer e nos dias de recordar. Onde o homem se senta de costas para terra e de frente para a água corrente. Onde as plantas e os lagos do jardim guardam a memória viva das recordações nostálgicas. Onde o menino recorda o adeus que disse um dia, no cortejo de flores e de lágrimas que lhe abreviaram, por má sorte, a vida que tinha para viver.
Cortejo de mágoas e de sonhos por cumprir.
Ali, na terra humedecida de suspiros e beijada pelas águas já salgadas de um mar que um dia se fez Português. Ali, naquele canto avistado pelo verde de um olhar perdido na imensidão do azul-marinho. Ali, no local que um dia reuniu em simultâneo, a saudade dos que partiram e ternura pelos que ficaram. Ali, onde as palavras brotaram alinhadas em frases de saudade, escritas e debitadas em textos que um dia seriam lidos.
Textos de nada que em nada se tornaram.
No lugar que serviu de emoção ao crescimento das sensações desejadas e experimentadas de um homem que um dia ousou sonhar. No lugar que deslizou em corrente de cristais líquidos por entre a cascata de inverdades que o som do clarim nunca mostrou. No lugar que ficou molhado pela espuma das ondas silenciosas que rebentaram no areal disperso dos sons desacreditados. No lugar desordenado das ideias prepotentes, assentes e vinculadas num só eu.
Ideal desencantado de um espírito virtual, criativo e imaginário.
Escutando os uivos do vento que assobiava a canção dos aventureiros e daqueles que buscavam a quimera sonhada por entre noites de lua nova. Escutando o voltear das páginas que não foram escritas nem coladas em livros de inventar. Escutando os uivos de vento que borbulhava em remoinho por entre o pó levantado do chão na sombra dos que emudeceram. Escutando as recordações que esmoreciam em cor cinzenta esvaída por entre emoções de cada turbilhão de sentimentos.
Universo de vontades diluído em arco-íris de baço olhar.
Vivendo o último dia de uma vida que fora companheira permanente da criança que quis ser homem. Vivendo o agigantar do sonho que se desenhou no olhar do menino que cresceu saudoso da face que mal beijou. Vivendo o aroma do evoluir de uma viagem começada e percorrida em passo de manhã chuvosa. Vivendo o ruído de cada dia que em cada tarde findada, lhe lembrava o toque de silêncio das manhãs que não surgiram.
Emoção de entardecer, com saudade de madrugada.

Actualização: 17-Feb-2006 . Comentários / sugestőes: ajsbranco@mundos.info