Tony de Matos - A VOZ!

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MUNDOS

Quando soube do lançamento (por parte da RTP), do DVD do último espectáculo ao vivo de Tony de Matos, decidi de imediato que o mesmo haveria de fazer parte da minha modesta colecção de música.

Tony de Matos é alguém que nunca tive o privilégio de conhecer pessoalmente, nem de assistir a qualquer um dos seus espectáculos; mas tive, contudo, o grato prazer de o ter ouvido na rádio; nos tempos em que as vozes da rádio eram o tudo-todo, da nossa delícia auditiva.

Não gosto de parecer saudosista de passados distantes ou de tempos remotos, mas de emoções também se vive e a saudade alimenta o sonho. Tony de Matos e as suas canções; a sua emoção; a maneira de estar em palco e sobretudo a voz, cantada e moldada em timbre proprietário de autor único e inimitável, são algo que, fazendo recordar, faz também viajar; pelos tempos imemoriais de uma juventude antiga, adolescência vivida e estados de alma de uma época em que o imaginário construía os rostos e os gestos; as cores e os tons.

Na edição do DVD, para além das canções cantadas no Coliseu, no seu último espectáculo ao vivo, são, também, mostradas algumas cenas de imagens vivas e ao vivo, de um Homem que assim permanecerá, na memória de todos daqueles que não deixam morrer eternamente os que sempre hão-de viver. Em complemento, algumas cenas do filme, “O Destino Marca a Hora”, que mostra deliciosas imagens – curiosidade – de um actor “quando era pequenino” e que hoje, é, também, um “monstro” da arte dramática – Nicolau Breyner.

Para além do DVD, quis, também, recordar Tony de Matos, vendo o programa Contacto, transmitido pela SIC. Este programa, pobre, na minha opinião, quanto aos intérpretes que levou para cantarem Tony de Matos, foi rico em declarações, recordações e emoções; de pessoas que tiveram – esses sim – o privilégio de ter vivido e convivido com a Grande Voz, como lhe chamou Nicolau; designação que, à falta de imaginação mais capaz, eu roubo (roubei) para associação ao título deste texto.

Não é uma questão de saudosismo, de menosprezo pelos artistas do presente ou de parecer que não se soube evoluir. Não é uma questão de velhice nem de modernidade; é tão só, uma questão de diferença: há vozes únicas e a de Tony de Matos foi uma delas. No timbre, na colocação, na firmeza e, sobretudo, na cor. Este cantor, cantava com voz colorida!

Falaram também do Homem, da sua generosidade e do estilo brincalhão e bem disposto. Dessa parte não me lembro; não consigo lembrar-me de quem não conheci fora da voz. Mas lembro-me, isso sim, de que “o destino marca a hora, marca o tempo de viver, pela vida fora”! copiosas lágrimas de emoção – Teresa Guilherme, sobretudo – conseguiram, também, quebrar-me a resistência, cedendo ao conceito de que os homens não choram. Os homens, afinal, também choram quando o têm de fazer; e alguns desses momentos ou motivações são, certamente, a vivência de emoções recordadas e sentidas.

Apenas um reparo quanto a este e outros actos similares: as homenagens devem ter lugar nas datas comemorativas dos nascimentos e não nas datas comemorativas da morte física.

Não sei se devem ou não chorar-se os mortos; mas sei, contudo, que devem lembrar-se alguns dos que nasceram – Tony de Matos, foi (é) um dos que devem ser lembrados porque nasceu

 

Actualização: 20-Jun-2007 . Comentários / sugestőes: ajsbranco@mundos.info