Até com o Sacrifício da Própria Vida

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MUNDOS

Embora seja uma pessoa que por vezes se deixa envolver em nostalgia, recuso-me ser saudosista de passados longínquos ou náufrago de desilusões. Não costumo, por isso, fazer sobressair os tempos gloriosos de um ido império que nunca o foi, verdadeiramente, em detrimento de um estado que não o quis ser. Pessoas boas e más; competentes e incompetentes; corajosas e cobardes; dinâmicas e estáticas; idealistas e sonhadoras; revolucionárias e retrógradas e outras tais e não tais, sempre as houve e haverá. Não cabe, por isso, escrevo eu na minha verdade, dizer que o presente do País das pessoas de agora, é pior ou melhor que o passado do País das pessoas de ontem.

Tudo tem o seu tempo de acontecer e de ser, sendo e acontecendo conforme o espaço temporal em que se insere.

As Forças Armadas, que ontem – passado – foram amadas pelo povo e pela Nação, são hoje – presente – senão odiadas, pelo menos, quase desprezadas e atiradas para a indiferença de um povo e de uma Nação que não sabe; ou não aprendeu a saber, o objectivo e significado da sua existência.

Gente inútil, luzidia, que passa o tempo na engorda, em gabinetes de bem estar e de bem fazer nada, gastando e esbanjando os re curso s do estado.

Esta é, parece, a imagem que dos militares se projecta na sociedade onde também se inserem por direito de nascença, vivença e pertença.

Denigre-se a sua imagem em programas de televisão – triste e sem propósito aquela rábula de Camilo e companhia, relacionando os oficiais superiores com casas de alterne –; ofende-se a sua credibilidade em comentários de jornal; rebaixa-se a sua condição em conceitos de economia imediata.

As Forças Armadas, para além da missão que têm para garante da soberania nacional –que só desconhece quem não quiser conhecer –, constituem uma instituição homogénea enquanto corpo que é, acompanhada ao mesmo tempo por uma heterogeneidade de especializações, quiçá, das mais ricas em sentido lato institucional e estrito em sentido pessoal, particular.

Na verdade, o seu universo de conhecimento, flutua e estende-se por entre a medicina; engenharia; literatura; história; informática; telecomunicações; veterinária; direito; cartografia; geografia; psicologia; sociologia; línguas e outras áreas mais, cuja especificidade mesmo não sendo tão evidente, não é menos importante.

Tudo isto – conhecimento científico e académico – tem de coexistir em conjunto com a doutrina militar; estratégia; geopolítica; táctica; espírito de missão e de sacrifico; brio e decoro militar. Ou seja, aquilo que vem nos livros, mais o que neles não vindo, do conteúdo se infere.

O pecado maior do estado – será de novo, o “estado a que chegámos”? – será, porventura, não ter sabido (ou não ter querido) explicar às pessoas do país e ao país das pessoas, a razão da sua existência e o porquê da sua manutenção. Ainda assim, os militares, a tropa, olham a sua Nação, a sua Terra de Antepassados, com o mesmo carinho e vontade de servir com que a olharam no momento da sua admissão na instituição, entrada muro a dentro do quartel, passos no tempo e no vento, ao sabor de correrias; de limitações; de sorrisos esbatidos na indiferença e de sacrifícios resguardados num sentido do dever que pela vida fora haveriam de cumprir.

Sobretudo, juraram defender a Pátria, até com o sacrifício da própria vida.

Que a Pátria saiba honrar o juramento daqueles que, deles precisando, terão de morrer por ela!

Actualização: 31-Oct-2005 . Comentários / sugestões: ajsbranco@mundos.info